Ficha Técnica

Espaço do Invisível (5 Vols.). Porto : Arcádia

Espaço do Invisível (5 vols)

Há uma voz obscura no homem, mas essa voz é a sua. Há um apelo ao máximo, mas vem do máximo que ele é. Há o limite impossível, mas é do excesso que é o próprio homem.” Vergílio Ferreira (Espaço do Invisível 1)

se o espaço do invisível se anuncia no do visível, é na obra de arte que mais presente e visível se nos revela o invisível – é na obra de arte que particularmente o invisível se vê.” Vergílio Ferreira (Espaço do Invisível 1)

“Escrever é abrir um sulco de sinais por onde o quem somos o que sentimos há-de passar. (…)

Instável equilíbrio de si consigo, breve cintilação que um instante ainda ilumina, ou o pode, depois mesmo de se apagar, frágil domínio sobre o confuso reino das sombras, vértice visível da para sempre incognoscível massa que anuncia, o escrever traça a nossa presença ativa no mundo, assinala a passagem de um pensar que se realiza, grava na face da vida o breve sinal que a identifica, cedo inindentificável como precisamente uma escrita de que não tivéssemos a chave.” Vergílio Ferreira (Espaço do Invisível 3)

“Em Espaço do Invisível II , as posições de Vergílio Ferreira são extremamente violentas. (…) A escolha de um Método, seja o da visão psicanalisante de um Barthes, o da tendência retórica de um Genette, ou o da tendência sociológica de um Goldmann, é também uma decisão subjetiva que apenas a afetividade determina. Donde: não há crítica objetiva que não parta de opções subjetivas, não há estrutura sem consciência estruturante. A arte, proclama Vergílio Ferreira, reconhece-se onde se reconhece a emotividade. E a emotividade implica uma decisão subjetiva. A crítica científica pretende abordar quantitativamente o que num texto é da ordem da qualidade. Do mensurável para o incomensurável, há um imprescindível salto, que a crítica científica não sabe saltar, e daí o seu repetido malogro. Por isso Vergílio Ferreira acentua: ‘Onde a obra chega, sobretudo porque ignora, a crítica não chega, porque julga não ignorar.’ E ainda: ‘A uma obra de arte só pode responder outra obra de arte.’ E daí a conclusão situada num depois da obra: ‘A crítica é a integração de nós na obra para de algum modo a prolongarmos.’”

Eduardo Prado Coelho