Ficha Técnica

Da Fenomenologia a Sartre. Lisboa : Presença, 1978

Fenomenologia a Sartre

Mas a aparição de que eu falo é o puro surgimento de mim a mim, não de um ser opaco ou substancializado ou ‘psíquico’, mas do puro ser vivo, subitamente erguido á minha frente, separado de mim enquanto precisamente vivo e penso; e se a individualização de ‘eu’ implica o ‘outro’, negando-o, a verdade é que na afirmação irrecusável de quem somos estamos falando de algo que de certo modo nos transcende, sendo nós e por transposição (não por contraste) os outros.” Vergílio Ferreira (Da Fenomenologia a Sartre)

Na realidade, o ‘passado’ ‘presente’ e ‘futuro’ são constituições secundárias do tempo fundamental que é o estarmos sendo como um puro presente, donde a tríplice ek-stase temporal se irradia. O homem é. O passado e o futuro formam uma ‘rede de intencionalidades’ para o antes (retenção) e para o depois (protenção) – segundo a terminologia husserliana – a partir de um puro presente que em rigor não é presente, porque é o puro estar-se sendo.” Vergílio Ferreira (Da Fenomenologia a Sartre).

“Eis-nos perante um escritor-pensador, um poeta-filósofo que não transfere para fora de si, por um alistamento ou uma escolha feita de uma vez para sempre, a responsabilidade de pensar, de fazer coexistir o ficcionista com o filósofo, para um simultânea criação da ideia e da forma.

O longo ensaio que precede o texto de Sartre é aliás mais do que um prefácio: é a justificação do sentido existencial da sua obra romanesca, é um testemunho público do caminho intelectual que tem seguido com fidelidade e rigor.”,

António Quadros