Para Sempre

“Para sempre. Aqui estou. É uma tarde de verão, está quente. Tarde de Agosto. Olho-a em volta, na sufocação do calor, na posse final do meu destino. E uma comoção abrupta – sê calmo. Na aprendizagem serena do silêncio. Nada mais terás que aprender? Nada mais.”, Vergílio Ferreira (Para Sempre)

“Invento a realidade nas palavras que a inventam – se eu soubesse a palavra dessa realidade. Uma palavra de beleza, de paz, de harmonia. De exaltação esperança evidência. Não a sei. De conforto e altura, de alegria. De loucura mesmo que fosse, qualquer coisa assim, (…) Vou inventá-la rapidamente antes de alguém ma negar – meu amor. Estou bem necessitado de ti, tanto.”, Vergílio Ferreira (Para Sempre)

“O veio do expressionismo realista que nos está nalguma massa do sangue, encontra em Para Sempre uma expressão dificilmente ultrapassável. Vergílio Ferreira opera prodígios para dar forma ao universal vazio em que se lhe converteu a sua vida, o mundo e a história, visão sua já antiga ou permanente, mas glosada agora com requintes beckettianos, à portuguesa, no limiar flutuante que separa a metafísica da escatologia. ‘Torneados em vazio, eu, a casa, ergo-me ao espaço da minha solidão.’”

Eduardo Lourenço

Para Sempre consubstancia a tentativa de compreender as relações entre a linguagem, a memória e o tempo, relações configuradas nessa prática linguística milenária que é a narração. Lugar de convergência e de síntese produtiva que culmina todo um processo de pesquisa sobre a linguagem, Para Sempre concretiza poeticamente essa pesquisa como ‘procura da Palavra virgem e irradiante, a primeira e essencial…’ Perseguida incessantemente, procurada em vão, a Palavra, ritmicamente celebrada na sua inacessibilidade, patenteia em Para Sempre o seu poder de criação narrativa do tempo, de projeção da ficção, em suma, configura e realiza a essencialidade do romance.”,

Fernanda Irene Fonseca
Ficha Técnica

Para Sempre, Bertrand, Lisboa, 1983